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GABINETE DO REPRESENTANTE DA REPÚBLICA

PARA A REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES

SOLAR DA MADRE DE DEUS

ANGRA DO HEROÍSMO



Dia da Restauração - 1º de dezembro



Senhor Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada – Dr. José Manuel Bolieiro
Senhor Delegado da Sociedade Histórica da Independência de Portugal – Dr. Eduardo Ferraz da Rosa
Senhor Professor Doutor Eduardo Cintra Torres – ilustre orador nesta Sessão Solene
Senhor Comandante Militar dos Açores –Brigadeiro-General José António de Figueiredo Feliciano 
Senhor Presidente da Comissão Municipal de Toponímia – Professor Doutor Carlos Alberto da Costa Cordeiro

Umas simples palavras para, em primeiro lugar, agradecer à organização das Comemorações do 1º de dezembro - Dia da Restauração Nacional, Câmara Municipal de Ponta Delgada e Sociedade Histórica da Independência de Portugal, o convite que me formularam para presidir a esta Sessão Solene, em que se comemora um dos dias mais marcantes da nossa história, dia em que um grupo de valorosos e destemidos portugueses, puseram fim a um período de 60 anos em que o nosso país foi governado pela dinastia dos Habsburgos, ramo hispânico e, que costumamos designar por dinastia Filipina ou dos Filipes.
É com muito gosto que aqui estou e sinto-me muito honrado por se terem lembrado de mim para celebrar convosco esta página da nossa história.
Em segundo lugar felicitar o Senhor Professor Doutor Eduardo Cintra Torres, ilustre académico e professor auxiliar convidado da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, pela eloquente comunicação que nos trouxe aqui, intitulada “A Multidão das Alterações de Évora na Origem da Restauração”.
Uma palavra de agradecimento também, à Sociedade Histórica da Independência de Portugal e à sua Delegação na Região Autónoma dos Açores, pelo trabalho que tem desenvolvido na valorização e na divulgação dos valores nacionais e muito particularmente na área da Língua e Cultura Portuguesas e Lusófonas, sendo a entidade que, ao longo de vários anos, tudo tem feito para que este dia seja lembrado e comemorado com as honras que ele merece.
Lembro que também em Lisboa, com a presença de Sua Excelência o Senhor Presidente da República, o Senhor 1º Ministro e outras altas individualidades, no Porto e Macau esta data é assinalada, e que é intenção da Sociedade Histórica da Independência de Portugal estender esta iniciativa a outros municípios do nosso país e  às principais comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
Faz hoje 356 anos, que um punhado de nobres resolveu restaurar a independência do reino de Portugal, país subjugado ao longo de 60 anos por reis de Castela, que, faltando ao compromisso assumido e jurado nas Cortes de Tomar por Filipe I, aplaudidos e ajudados por muita nobreza e clero português, que, ao não quererem perder muitos dos poderes que detinham, não titubearam em trair a sua pátria.
Os verdadeiros nobres portugueses, desiludidos com a quebra das promessas dos reis de Espanha, principalmente de Filipe III e, vendo a castelhanização a que o país se encontrava sujeito, com a economia debilitada, com a sobrecarga de impostos e a perda de individualidade cultural, entenderam que algo havia a fazer para pôr termo a tal situação e a necessidade de resgatar o país da absoluta miséria em que se encontrava.
A conspiração a favor da libertação foi ganhando força e, após a obtenção formal de adesão do Duque de Bragança, talvez o nobre mais influente e poderoso português, um grupo de cerca de 40 portugueses entraram no Paço da Ribeira, controlaram a guarda, mataram o secretário de Estado Miguel de Vasconcelos, prenderam a Duquesa de Mântua, Margarida de Saboia e obrigaram-na a ordenar a rendição das forças fieis a Filipe III.
Estava assim consumada a revolução e a independência de um reino de mais de quinhentos anos.
Os anos seguintes, como todos sabemos, não foram fáceis, com várias escaramuças e batalhas entre os dois reinos, de que destaco o cerco a Elvas, Montijo, Linhas de Elvas, Ameixoal e Castelo Rodrigo, sendo a paz finalmente alcançada em 1668, com a assinatura do Tratado de Lisboa entre Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha.
Desde 1823, primeira comemoração oficial da Restauração da Independência, que este dia é comemorado, passando a feriado nacional na segunda metade do século XIX. 
É o feriado civil mais antigo, tendo sido o único que se manteve, vindo da monarquia, após a revolução republicana de 1910, tendo sido suspenso, sempre que coincidisse com dia de semana, em 2013, face os condicionalismos económicos em que o país se encontrava., sendo reposto no corrente ano de 2016.
A nossa história está repleta de acontecimentos e exemplos valorosos como o que hoje celebramos, demonstrando bem, o querer e a bravura dos nossos antepassados.
O que dizer de um país que não dê valor ao passado e aos factos mais marcantes da sua história?
O que fomos outrora, com um passado de quase novecentos anos, para além de ser motivo de orgulho, deve-nos fazer acreditar e ter esperança no futuro. 
Com tenacidade, imaginação, trabalho e sentido patriótico, conseguiremos certamente ultrapassar os obstáculos com que nos confrontamos no presente, possibilitando deixar aos vindouros, um Portugal melhor.